Assim como o Engenho Uruaé, em Condado (também na Mata Norte, a 58 quilômetros da capital), Jundiá concilia moradia com visitação turística. Quem bate à
porta do chalé pintado de branco, com janelas e adornos azuis, no sopé da Cordilheira das Mascarenhas, é recebido por uma simpática senhora. Zélia Maria César
Correia faz sala para os hóspedes e mostra cada pedacinho da propriedade que administra com o marido.
A equipe do JC chegou ao lugar sem aviso. Mas as visitas devem ser agendadas e sempre em grupos de, no mínimo, dez pessoas. O Engenho Jundiá, onde
nasceu o geógrafo Manoel Correia de Andrade (1922-2007), pertence à família Correia de Oliveira Andrade desde 1879. “A propriedade existe desde 1750 e o
engenho foi fundado em 1817”, informa Zélia Maria César.
Duas senhoras de engenho moraram no casarão, que não tem tombamento, mas é preservado pelos herdeiros. Até a fuligem deixada nos caibros do telhado da
cozinha, pelo fogão à lenha, está mantida. “A cozinha é a única parte reformada da casa. Moro aqui e precisava de conforto. Mas não substituímos os caibros
enegrecidos”, afirma.
A parede é feita de areia, cal, barro e água, mistura que se chama de caliça
Zélia Maria César Correia faz sala para os hóspedes.
Zélia conduz os visitantes pelos cômodos e vai narrando aos poucos a história do engenho, que deixou de moer em 1956, quando passou a fornecer cana para
usina. “Essa era a carretilha de fazer sequilhos e esse era o almofariz onde se macerava os temperos”, diz ela, apontando objetos usados na casa no início do
século 20. Um telefone de 1920, adquirido pelos primeiros moradores do lugar, virou peça de exposição.
Um trecho do corredor, propositalmente sem reboco, é o mote para contar aos turistas a forma de construção do imóvel. “A parede é feita de areia, cal, barro e
água, mistura que se chama de caliça”, explica. O piso, da década de 20, é de ladrilho hidráulico. Jundiá fabricava açúcar e tinha uma destilaria de aguardente.
O engenho conserva duas igrejinhas. Construída em 1905, a Capela de Nossa Senhora da Conceição fica no Pico do Jundiá, a 470 metros de altitude. A outra,
erguida em 1964, ao lado da casa-grande, é dedicada a Santa Joana D’Arc. “Temos três procissões saindo do engenho, no primeiro domingo de dezembro, no dia
do Natal e em 6 de janeiro”, informa.